Alerta de tendência: crise existencial digital

Alerta de tendência: crise existencial digital

As aulas de pesquisa de tendência ainda estão frescas na memória: são 3 eventos o número chave pra determinar se algo tem o potencial de uma tendência ou não. Há um tempo vem pipocando por aqui, dentre as minhas blogueiras favoritas, avisos de férias da internet, hiatus do blog ou uma detox desse mundo de exposição, chame como quiser. Teve a Juliana Rabelo dizendo que tava cansada de “fazer as coisas pela metade”, o Santa Dose saindo do Facebook, o Quase de Manhã falando em se afastar da internet “pra se conectar com ela mesmo”. Acabamos de falar que 3 é o número chave né? Será que essas são evidências de uma crise existencial digital generalizada?

A cereja do bolo foi quando a Essena O’Neill anunciou que estava saindo do Instagram e o bafafá que isso gerou. Notem: o chocante não é alguém querer tirar um tempo off, mas o fato disso virar notícia. Alguém cansar de fazer parte de uma fórmula desgastada no Instagram não deveria ser surpresa nenhuma. Chocante mesmo foi a atenção que isso recebeu: mais de 200 mil pessoas começaram a seguir a menina depois dela anunciar a saída da rede social. O que isso diz sobre essas 200 mil pessoas? Talvez elas só quisessem ver “as cenas dos próximos capítulos” ou talvez elas, de alguma forma, se identificaram com a sensação de ser sobrecarregada pela sua própria imagem online, sejam elas insta-celebrities ou não. Talvez as pessoas estejam cansadas de produzir tanta informação – que muitas vezes, não tem nada a acrescentar.

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Ainda pensando sobre a aula de tendência, aprendemos que todo movimento gera um contra-movimento. De um lado – na aula, no trabalho, na vida pessoal – ouve-se falar TANTO em redes sociais, nas oportunidades de negócios que elas geram, na importância de ficarligadonasnovidadessempre, assim mesmo, sem espaço. Do outro, as pessoas começam a se esgotar e questionar se esse compartilhamento constante de informação é mesmo necessário. Alguém mais já notou como todas as pessoas tem mais seguidores a cada dia? Mil, 3 mil, 20 mil, 70 mil, 200 mil, 500 mil. Nunca parece ser o suficiente. Seguindo esse ritmo, um dia todos seremos famosos na internet. Isso significa dizer que, então, ninguém será famoso?

Assim como as redes sociais, um dia conhecemos o fast food, fast fashion, fast tudo. Depois, apareceu o slow food, slow fashion, slow design etc. Os inovadores, trend-setters da era digital, estão mandando a mesma mensagem que já ouvimos na moda e na alimentação: não, não precisamos receber ou fornecer novidadesatodotempo. Qualidade acima de quantidade. Será o movimento slow chegando aos blogs?

Eles começam a questionar a atual dinâmica, sabem que a internet não é a vilã, afinal, eles vão e voltam. O problema não está nas redes sociais – nem conhecemos uma vida sem ela – mas a cobrança invisível de produzir e absorver conteúdo novo a todo instante. Quanto mais, melhor. Se já é difícil ser você em um mundo que tá constantemente te dizendo quem ser, acrescenta a expectativa de alguns mil seguidores/leitores nisso aí. Não é impossível, mas é um obstáculo.

E essa nova tendência vem em forma de que? Abstenção de rede social? “Jogar fora” meio milhão de seguidores? Largar o blog pra sempre? Não necessariamente. A Helô Gomes passou por esse processo de recriação: tirou o blog badalado do ar, o Sanduíche de Algodão, e voltou com um portal mais íntimo, mais minimalista, mais reflexivo, que não segue deadlines e muitas vezes tem posts reciclados de reflexões do Instagram.

Qualquer processo é válido para entender qual formato nos faz mais produtivos e autênticos. Talvez estejamos começando a entender que não, quanto mais informação não é sempre melhor. Que não é preciso estar em todas as redes sociais, mas naquelas que nos identificamos mais. Que não é preciso expor as partes de você que estão desconectadas, que é tudo bem tirar um tempo pra si mesmo. Afinal, loucura seria seguir tanta gente e esquecer do principal, nós mesmos.

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3 Comments

  • Larissa Barros
    3 anos ago

    Oi, Paula!

    Não sei se me confundi, mas acredito que há um tempinho atrás li um post seu sobre revistas independentes aí em L.A! Você excluiu o post ou eu que confundi de blogueira? rsrs
    Muito obrigada. Beijos!

    • 3 anos ago

      Aaah Larissa, se confundiu não! :(( Meu servidor deu ruim nesse meio tempo e acabei perdendo alguns posts, incluindo esse. Mas fui eu mesma, eu falava da Lone Wolf e da Flow! :) Beijo

      • Larissa Barros
        3 anos ago

        Ah é, eu lembro que você contou do seu servidor aqui no blog :( mas obrigada por, ainda assim, compartilhar o nome das revistas!!

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