30% sofrimento, 70% diversão

30% sofrimento, 70% diversão

Uma coisa que Maceió, Rio de Janeiro e Los Angeles tem em comum – além de um lugarzinho especial no meu coração – é o calor. Ô, que calor. É por isso que esse final de semana, pra tentar me distrair do desconforto/rinite que a mudança constante de temperatura causou, fui relaxar em um dos meus lugares favoritos por aqui: o Granada Park. Digo favorito pela paz, brisa e vibes boas – fora a proximidade com a minha casa de chá também favorita de LA. Era pra lá que eu ia logo depois da aula de pintura com o meu chá de fortunella, respirar depois de sofrer em frente à tela e óleo, pensar sobre o que tinha acabado de aprender e me dar conta de quanta sorte eu tinha de estar ali.

Acho que é isso! A fórmula de um misto de clima familiar, experiência nova e companhia boa fazem daquele parque um dos cantinhos que preenchem meu coração (assim como o açaí na Ponta Verde ou andar de bike na praia do Recreio). O curso já acabou há um tempo, mas eu continuo indo até lá mesmo sendo 20km da minha casa. Na expedição de ontem eu resolvi praticar e pintar a luz linda que tava batendo nas árvores. “Um exercício rápido de cor e luz”, pensei.

Foi só abrir uma tela em branco, dessa vez digital, e começar a rabiscar que a minha sensação de “inspiração” foi sendo levada pelo vento. Claramente aqueles primeiros traços não eram uma boa composição. Respirei, trouxe a mente de volta pro momento e mudei de estratégia. Ia começar acertando os valores da cena, em escala de cinza, afinal era só um exercício. Comecei a me distrair por períodos mais longos, a conversa tava ficando bem mais interessante do que esse exercício sem propósito que eu resolvi tentar. Insisti mais um pouco, “você tem que trazer a mente de volta pro momento”, a mente dizia pra ela mesma.

Não dava pra negar que a minha vontade de praticar tinha sido substituida por frustração. Mas afinal, aonde estava o prazer da expressão “pintar por prazer”? Não que eu seja regra para t-o-d-o-s os artistas, mas eu sei que esse padrão de pensamento, esse roteiro da tela em branco não é acontecimento casual, já experimentei ele vezes demais pra isso. Tentei mais um pouco só pra oficializar que eu havia tentado, guardei o iPad e voltei a admirar o verde das árvores, os esquilos olhando pra mim do galho como se planejassem um ataque, e a minha ressaca de inspiração.

24 horas depois, distraída entre um vídeo do Youtube e outro, iPad no meu colo, comecei a rabiscar. Redirecionei toda energia mental que estava se dividindo entre lista de comida que eu tinha que comprar, coisas a serem feitas no trabalho e como eu pre-ci-sa-va postar um vídeo novo com urgência pra aquela pintura inacabada. Naquele momento, desenhar não era o meu objetivo principal. Na verdade era bem o contrário, era a minha distração dos reais problemas do mundo – pelo menos pra mim, naquele momento.

Algumas horas, uma pintura finalizada e uma mente satisfeita depois, eu tenho que sorrir com a ironia. Sem procurar, eu encontrei o prazer da expressão “pintar por prazer”. Ele estava logo depois de cruzar os primeiros 30% de sofrimento que é uma tela em branco.

||||| 3 Gostou? |||||

Você também vai gostar

Deixar comentário

Deixar comentário Your email address will not be published