22/08/2017

Vamos errar? Passo a passo pintura à óleo

Vamos deixar as coisas claras desde o começo. “Passo a passo” quer dizer “estou enfrentando meu medo e postando as minhas pinturas durante o processo – antes delas ficaram…er…publicáveis“. Esse não é um post de tutorial como fazer pinturas à óleo, no máximo um tutorial de como passar vergonha. Obrigada, de nada.

Criatividade é vulnerabilidade.

Criar algo que não existe é correr o risco – quase certo – de falhar. Aliás, se tem uma coisa certa em uma boa pintura, é que muitos erros a antecederam. Enfrentar seus medos pode até ser um ato nobre, mas nada disso importa quando é você e a tela em branco.

Eu lembro da agonia física que foi sentar numa sala com gente mais experiente que eu e pensar “o momento em que eu começar a pintar, todo mundo vai descobrir que eu sou uma fraude, que não pertenço a essa sala”. Enquanto a tela estivesse em branco, eu estava segura.

Relação de amor e ódio

Ironicamente, em muitas desses pinturas, eu estou até bem orgulhosa do resultado. Quando eu chego no momento 2, 3, 4 ou 5, consigo enxergar o que tenho na minha frente: uma baita evolução para alguém, até então, com zero experiência em pintura à óleo. “Hum, a sua decisão ousada de usar laranja para o lado do cabelo precisa ser retocada, mas tem algo bom aí!”. “O contraste entre linhas duras e borradas fazem esse auto-retrato funcionar”. Mas… e até chegar lá?

A vontade de desistir quando eu estou encarando uma pintura no momento 1 é muito tentadora. Sério, quem não desistiria olhando pra esse Jesus da Espanha? Ou esse pavor de auto-retrato – acho que o pior de tudo é que eu ainda consigo ver a semelhança comigo.

O outro caminho

Há também a outra alternativa: quando se começa muito bem, o medo de estragar o desenho com a próxima pincelada engessa cada movimento. Não que eu conheça a sensação de começar muito bem…

Acima de tudo, no momento 1, 2, 3, 4 ou 5, eu consigo ver coisas que poderiam ser melhoradas. “A sombra do pescoço seria um pouco mais natural se eu tivesse adicionado um pouco de curvatura”. A razão pela qual eu consigo me preocupar com a forma da sombra é por que, às essas alturas, outros problemas já foram resolvidos: o formato do rosto, as diferenças de valores entre a lateral da bochecha e abaixo do queixo, mostrar o rabo de cavalo ajuda a entender melhor a pintura.

 

Errar rápido e em público

Algumas dessas conclusões eu cheguei sozinha, outras com ajuda de outros olhos. O que só pode siginificar uma coisa bem dolorosa: é essencial não apenas passar pelo momento 1, mas dividir ele com pessoas mais experientes – e sim, elas provavelmente vão achar sua pintura muito feia. E tu-do bem. Eles sabem que pintar muito mal é o primeiro passo pra pintar bem. Venho notando que muitos artistas atribuem seu sucesso muito mais à prática do que ao talento. Muitos acreditam que a diferença entre um bom artista e todo resto não é quão talentoso você é, mas a quantas vezes você está disposto a enfrentar o momento 1 de uma pintura na vida. Vamos errar?

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Vem que tem mais coisa boa

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