23/10/2016

Como conviver com ansiedade fez eu me apaixonar pela moda

Diz se que a fórmula pra ser feliz é simples: viver no presente. Viver no passado é o que a gente chama de saudade, e no futuro, ansiedade. Pra mim, viver com a cabeça nas preocupações futuras sempre foi a única maneira de viver. Demorou até eu chamar ansiedade pelo nome por que, até então, eu só chamava aquilo de vida. Hoje, com a perspectiva que o tempo dá sobre situações anormais que muitas vezes normalizamos, passei a ver a conexão que a minha relação com a ansiedade tem com o meu amor por moda. Ou mais precisamente, com me vestir todos os dias pela manhã.

Não foi fácil identificar a ansiedade por que eu nunca tive os sintomas mais conhecidos: hiperventilação, suor, taquicardia, etc.. Eu aprendi com o tempo que há diferentes maneiras de reagir a ela, e a minha é a de congelamento. Sentir essa coisa que diminuía minha qualidade de vida e não ter nem um nome pra ela foi muito solitário. Espero que compartilhando isso aqui faça alguém se sentir um pouco menos sozinha, mais compreendida. ♥

Voltando ao congelamento.

Quando eu falo ansiedade, não tô dizendo aquele nervosinho antes de uma apresentação. Tô falando de um nível que deixa a sua rotina pesada e compromete a sua qualidade de vida. Por quê? Ansiedade mantém ansiedade, gera alterações químicas no cérebro que criam pensamentos negativos, alteram a percepção. Por exemplo, você é quimicamente mais predisposto a entender uma expressão como negativa. Bem difícil né? Isso tudo afeta não só os relacionamentos mas a auto estima. Imagina achar que todo mundo está entediado ou te criticando quando você fala, que seus amigos estão com raiva, ou pior, com vergonha de você? :(

A ansiedade já me impediu de fazer várias coisas, cancelar programações, ter noites de sono perdida, etc. Em fases de estresse, a dificuldade de sair da cama de manhã e enfrentar o dia era uma tarefa quase impossível. Muitos dias eu fiz o que o corpo pedia: me recolhi com os meus sentimentos e evitei o mundo (sem vergonha nenhuma nisso). Em dias mais amenos, eu adotei uma estratégia: um passo por vez. Escolher a roupa do dia, fazer a maquiagem e penteado sempre foi brincadeira quando eu era criança. Então, o que um passo por vez significava? Esquecer os desafios da vida, escola, trabalho, as vozes negativas dizendo que eu ia falhar em mil maneiras diferentes e focar em escolher um look bem divertido, seguir um tema (60’s, rock, hippie, etc.). Focar na brincadeira.

ps.: Moda não é tratamento!

Não quer dizer que depois de “entrar na personagem” a ansiedade ia embora. Só que a essas alturas eu já estava vestida e pronta pra enfrentar os desafios diários. Claro que focar na aparência não é um tratamento para a ansiedade ou qualquer outra condição clínica!! O que quero dizer é que pra uma adolescente (que não tinha nem nome pra aquele sentimento ruim), a moda passou a ser uma grande companhia.

É curioso pensar que as fases mais desafiadoras da minha vida (intercâmbio no Arkansas, morar em Paris, mudança pra o Rio) foram os meus momentos mais criativos em relação a moda. Quanto mais eu entrava na minha própria brincadeira, mais divertidos os meus looks eram, mais autênticos, mais eu. E daí eu entendi que moda, pra mim, nunca foi algo fútil, tentar parecer algo que eu não era ou ser refém de tendência. Moda sempre foi uma brincadeira, um contato comigo mesma quando meus monstrinhos insistiam em aparecer. E enquanto eu continuar vendo roupas, maquiagem e acessórios como uma brincadeira, eu vou continuar amando a moda. Você usa a moda e não o contrário.


Se você sofre de ansiedade, por favor, isso não é uma dica de tratamento. Faça um favor a mim e um bem a você, procure ajuda profissional! A vida é muito mais linda quando a cabeça está em equilíbrio. :)

Se alguém que você conhece e ama sofre de ansiedade, por favor, não use culpa como estratégia pra demandar atenção. Cuidado com comentários, desde algo inofensivo como “você não tem tempo pra amigos, tá sempre ocupada”, a algo como “você não pode parar a cada vez que sentir desconforto”, palavras tem poder. Use as suas para o bem.

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Vem que tem mais coisa boa

11/10/2016

Por que o momento de publicar o seu portfolio já chegou

Quando é muito cedo na carreira pra colocar a cara no sol na internet e publicar o seu trabalho para o mundo todo ver? Precisei ter essa conversa muitas vezes na minha cabeça (sabe como é, o Tico e o Teco), algumas vezes em voz alta até finalmente me convencer que a tal hora que eu estava esperando pra publicar o meu portfolio nunca iria vir, por um motivo simples: ela já tinha chegado.

Há muitas razões racionais e lógicas que você pode estar arrumando para ainda não ter o seu portfolio online, mas a verdade é que a maioria dessas razões pode ser resumida a uma: medo de expor o seu trabalho. E olha, não tô dizendo que esse medo é coisa pouca não, é grande mesmo e frequenta a vida de quase todos os criativos. Quando o seu trabalho é sua ideia, fica difícil não associar as críticas ao trabalho a sua própria pessoa, né? Mas é exatamente isso que é a vida de quem trabalha com criação, é se entregar à vulnerabilidade, é colocar um pedacinho de você no mundo, e sim, ouvir muitas críticas – a maior delas de nós mesmos.

A questão é que a ilusão de que isso é uma característica do começo de carreira, da fase de faculdade é somente isso, uma ilusão. Achar que você ainda não está pronta (o) para publicar o seu portfolio é cair nessa ideia de que um dia estaremos prontos, quando estar pronto é uma questão de mudança de perspectiva.

É uma coisa terrível, eu penso, na vida esperar até você estar pronto. Eu tenho esse sentimento agora que ninguém nunca está realmente pronto pra nada. Não existe isso de estar pronto. Existe apenas o agora. E você deve então fazer agora. – Hugh Laurie

Sim, o processo de criar um portfolio pode ser bem complexo: primeiro é preciso saber o que você é. Fotógrafa? Stylist? Designer gráfica? Saber o seu estilo. Ter uma carreira dos sonhos em mente (ou pelo menos um objetivo). Ter trabalhos que sejam coerentes com o que você busca alcançar e coerentes entre si. Ufa, muita coisa, né? Claro, um portfolio tem um objetivo concreto: achar um emprego. Mas há também objetivos secundários, outras coisas que você pode ganhar com a exposição do seu trabalho – ainda que ele não esteja tão polido quanto você gostaria:

1. Ouvir crítica é uma questão de prática

Ouvir crítica sempre foi um baita desafio pra mim, quando o cérebro entendia que não era pessoal e que a intenção era boa,  já era tarde demais e eu estava de bico por 24horas. Aprendi que só tem uma maneira de acostumar com as críticas e ela não é aperfeiçoar o trabalho – é escutar, discutir com racionalidade e aplicar o que aprendeu nas próximas criações, dói um pouquinho menos a cada tentativa, tipo aumentar o peso da academia.

2. Aparecer é tão importante quanto criar

Sem querer soar como equipe de marketing, é muito difícil saber aonde você se posiciona no mercado se o seu trabalho não tiver constantemente sendo exposto e você recebendo feedback. Suas incríveis poesias na gaveta podem ser muito mais do que você imagina, podem, além de uma expressão da sua alma, ser um peça com potencial de publicação (mesmo que ainda precise de edição). Imagina as chances que você pode estar perdendo? Deixe o mundo saber que as suas criações existem.

3. Qualidade > Quantidade:

Eu lembro que uma das desculpas que o meu cérebro contava a ele mesmo era: o meu portfolio precisa contar uma história e eu não tenho projetos suficientes dentro de um mesmo tema. A verdade é que cada plataforma tem a sua característica.

O seu portfolio digital ou impresso deve ter entre 9 ou 12 peças, mesmo que você tenha muitos projetos incríveis, ele deve ser sucinto, uma seleção do melhor do melhor. Nesse caso, sim, os projetos devem se relacionar de alguma forma. Mas há também plataformas como Flickr, DevianArt ou Behance, por exemplo, que são desenvolvidos para que você sempre poste coisa nova, não há aquela ideia de selecionar apenas X projetos. Vai publicando à medida que cria.

Escolha a(s) plataforma(s) que mais se encaixa com a fase da sua carreira.


Esse post é uma tentativa minha de deixar o blog um pouco menos editorial e mais compartilhando-as-dificuldades-da-vida-enquanto-elas-acontecem. Com isso dito, estou publicando o meu portfolio pela primeira vez e aceito crítica construtiva, elogios ou dúvidas. Fiz o meu pelo Squarespace, e se alguém tiver interesse posso fazer post explicando o por quê da minha escolha. Voilà.

portfolio-squarespace

When we choose growth over perfection, we immediately increase our shame resilience. Improvement is a far more realistic goal than perfection. Merely letting go of unattainable goals makes us less susceptible to shame. When we believe “we must be this” we ignore who or what we actually are, our capacity and our limitations. We start from the image of perfection, and of course, from perfection there is nowhere to go but down.

 

 

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Vem que tem mais coisa boa

10/10/2016

Uma breve introdução do retorno

É interessante pensar nas explicações que o nosso cérebro articula para nós mesmos, e como essas explicações não se preocupam em ter qualquer compromisso com a verdade. Explico: quando comecei a blogar, eu morava em Maceió, cursava Direito e mantinha uma rotina muito pouco criativa ou estimulante para o lado direito do meu cérebro. Eu dizia a quem perguntasse – e a mim mesma – que o blog era o meu escape criativo, afinal tinha textos, curadoria de inspirações, projetinhos DIY despretenciosos e até rolava uns ~editoriais~.

Depois de um tempo nessa vida que não me pertencia, eu me mudei para o Rio de Janeiro pra estudar moda. O blog, naturalmente, foi comigo, junto com o pensamento de que “ah, agora sim, eu estudo algo criativo e vou ter muito mais conteúdo e propriedade pra postar no blog.” Quando me mudei para Los Angeles, então, confiei tão fortemente na equação vida mais criativa = mais conteúdo para eu falar no blog, que até reformulei ele todinho, layout e branding para deixá-lo pronto para tamanha aventura.

Dizer que eu estava certa ou errada é tão útil quanto prometer que dessa vez vai ser diferente. A questão é que com a vida criativa, descobertas e “qualificação” (por assim dizer) vem a falta de tempo, a sensação de responsabilidade (afinal, não posso sair por aí dando dicas disso a não ser que eu seja uma especialista) e, claro, a pressão pra priorizar os trabalhos pagos, né? #néfácilseradulto.

Em resumo: quando se tem tempo, não se tem a autoridade pra escrever; quando se ganha a autoridade, se perde o tempo. Tudo pode ser uma razão válida que o cérebro conta a ele mesmo, ou um desafio que o cérebro reconhece e escolhe superar. Hoje eu escolho voltar a blogar com um pouco mais de autoridade, ainda como escape criativo e, se eu conseguir, compartilhar um pouquinho de tudo que a vida tem me ensinado ultimamente.Esse post é uma abertura de coração, um resgate da ingenuidade de blogar e, principalmente, um obrigada por manter a casa quentinha pra mim, vocês são demais.

Fica que vai ter diário de viagem do México!

 

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12/04/2016

Los Angeles por outro ângulo

Quanto tempo leva pra conhecer uma cidade? Esses dias completei 1 ano de Los Angeles (say whaat?) e, por coincidência ou não, nessas últimas semanas também passei a conhecer a cidade de um jeito novo. Fui a lugares que nunca tinha ido, revisitei alguns com uma nova perspectiva, passei a chamar outros de meus lugares. Me lembrei das primeiras impressões que eu tive de algumas regiões da cidade e que eu insistia em manter: “muito de rico”, “muito perigosa”, “muito hipster”. Dei a chance de me questionar e me veio a pergunta: quanto tempo leva para conhecer uma cidade? 30 segundos? 1 dia? 2 semanas? 1 ano?

Los Angeles é aquela amiga arrumada demais, estilosa demais, que você quer acreditar que é legal e tem conteúdo, mas que cria toda uma camada externa que dificulta o processo. É aquela pessoa que é profunda e ao mesmo tempo parece que se esforça pra parecer superficial. É aquela que é 90% reality show, cujo vocabulário é feito de Kardashians e Jenners, que fala de roupas e maquiagens como quem fala de cesta básica, que escolhe o bar da night pela exclusividade do local. É também aquela amiga que quando a noite acaba tá falando de sentimentos e de auto-conhecimento, no final da tarde pula de museu em museu pra respirar arte e vive procurando restaurante pela história do local.

Algumas cidades, assim como pessoas, parecem facilmente decifráveis. Tanto que a gente tem ideias sobre elas sem nunca ter pisado lá. Cidade da Luz, Cidade disso, Cidade Daquilo. Parafraseando a escritora Chimamanda Ngozi, o problema do estereótipo não é que ele seja incorreto, mas que ele é incompleto. Talvez 3 segundos, 3 dias ou 3 meses pareçam suficientes pra conhecer uma cidade, se ela for unidimensional talvez. Mas, Los Angeles, assim como as melhores pessoas, é multi. Multicultural, multicolorida, multilíngue. E vou acabar o post sem responder a minha própria pergunta, mas estou aqui há 1 ano e a cada dia conheço uma nova cidade.

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Quero continuar lendo…

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20/01/2016

Oi ano novo e oi leitores novos!

Um bom tempinho sem dar as caras por aqui e qual não foi a minha surpresa ao saber do analytics que o blog deu um boom de visitas nesse final de ano. O meu chute é que teve muita gente procurando por blog planner pra começar o 2016 organizado (tâmo junto, galere)! Seja qual for o motivo, a casa virtual aqui tá mais movimentada do que nunca e eu precisava tirar um minutinho pra dar um oi bem especial pra todas essas leitoras novas e lindas. E não digo que são lindas por que quero puxar o saco não, viu? São mesmo. Tem um monte de carinha nova me seguindo nas redes sociais, comentando por aqui. Fico muito feliz de ver o blog se encontrando e esse montão de menina estilosa e criativa encontrando ele de volta! Sejam todas(os) bem-vindas(os)! Vamos aprender e se inspirar muito por aqui.

O final de ano foi bem movimentando (qual parte não foi, né? ô 2015 chêi das emoções…), mas estou de volta à Los Angeles tentando pegar o ritmo da rotina e prometo trazer novidades pra cá – tem desde corte de cabelo novo, desafios pra manter a criatividade trabalhando, à uma vontade/meta de ano novo de criar um canal no Youtube, ui!

Pra deixar esse post – rapidinho mas feito de coração – especial, quero dividir uma ilustração recente que eu fiz. Esteticamente, ela foge bastante do que eu costumo fazer, mas tem um significado bem especial pra mim e quero deixar ela aqui, de fácil acesso pra mim e pra quem mais estiver precisando ouvir essa mensagem. Ela foi feita como um presente para uma amiga que acabou me presenteando também, uma ilustração vinda da alma depois de um longo período de bloqueio, quer mais do que isso? Olha, fica a dica pra as fases de congelamento criativo: criar para uma pessoa que você gosta muda a perspectiva! No meu caso, eu me preocupei muito pouco com a “perfeição” e mais com o sentimento, o que foi uma experiência ótima.

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Para os momentos de tempestade nas nossas vidas, vale sempre lembrar que tem um céu limpinho e azul acima das nuvens. Às vezes basta uma inspiração profunda, às vezes a gente precisa pegar um avião e atravessar as nuvens, seja como for, o céu limpo ainda está lá.

Mal posso esperar pra dividir os próximos posts com vocês. Feliz 2016, povo lindo, bem-vindo à bordo!

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03/12/2015

O lado obscuro do talento

Um dia, sentadinha na sala de espera da psicóloga, uma capa da revista Galileu me chamou atenção. “O lado bom da depressão”, dizia o título da reportagem que eu nem terminei de ler. O que ficou comigo dessa capa não foram as informações da matéria – que eu nem lembro – mas uma lição que eu já tinha ouvido várias vezes antes e precisei ouvir mais outras vezes depois para realmente entendê-la: existe algo bom em algo tão obscuro como a depressão, assim como existe algo negativo em coisas boas. Recentemente, consegui decifrar uma angústia pessoal e passei a entender que há um lado obscuro no talento.

Acho que eu posso dizer, sem risco de soar presunçosa, que eu sou uma pessoa talentosa. Veja só, não estou falando em criar coisas belas ou em bater recordes, até por que esses determinantes de sucesso são influenciados por muuitas variantes além de talento, né? Estou falando de, quando pequenininha, ter começado com certa “vantagem” em referência a outras pessoas com habilidades como pintar, dançar, tocar, cantar etc. Pra mim, talento é o que se manifesta naquela primeira aula, ele é o empurrão e a voz dentro da gente que, quando experimenta uma atividade completamente nova, pensa “hum, eu sou boa nisso, quero fazer mais”. É o que faz a gente se dedicar às artes visuais e não ao vôlei, por exemplo.

Se identificou? Então acompanha só. Desde criança, a gente se destaca entre os colegas com determinada atividade (vamos usar o desenho para efeitos de ilustração). Com o tempo, os olhares encantados e os parabéns que a gente escuta vão se internalizando de alguma maneira; seja em forma de motivação para praticar, pra desenvolver a técnica ou em alguma outra forma bem mais sutil, quase, quase silenciosa. A gente vai crescendo, amadurecendo, e o mesmo acontece com os nossos desenhos, nem sempre no mesmo ritmo.

Qualquer trajetória de quem se aventurou com desenho inclui algumas das mesmas etapas. Todo criativo tem a voz daquele professor na mente enfatizando a importância de buscar o estilo próprio. Todos entendem a necessidade da prática para melhorar a habilidade. E, ironicamente, todos já devem ter ouvido que talento não é lá tão importante.

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“Talento é sorte. O importante na vida é coragem”. Manhattan (Woody Allen)

O que ninguém ensina, talvez por ignorância ou para não gerar pânico (compreensível), é que com o talento vem tarefas nada leves. Descobrir o estilo próprio é muito importante pra quem quer trabalhar com criação e ser reconhecido pela sua arte, sim. É, também, um processo de auto-conhecimento que nem sempre a gente está preparado pra enfrentar. Olha, envolve olhar pra dentro, enxergar coisas lindas e outras nem tanto; envolve enfrentá-las uma a uma, sem direito a desviar o olhar. Fazer arte é um dom que quem experimenta dificilmente tem a opção de não aceitar, mas que coloca o artista num lugar vulnerável e, às vezes, doloroso.

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“Você pode escolher coragem ou você pode escolher conforto, mas você não pode ter os dois”. Brené Brown

Não é à toa que ficar em frente a um papel/tela em branco pode gerar sentimentos tão distintos: prazer, alívio, entendimento, compreensão, mas também, tristeza, solidão, bloqueio, não ser bom o suficiente, não ter a técnica certa, não ter uma mensagem poderosa o suficiente etc. Muitas das pessoas que escolheram seguir a arte (ou seria a arte que escolheu as pessoas?) escutam que é preciso se descobrir, dando a ilusão que esse processo tem início, meio e fim.

A verdade é que as fases de descoberta e de criação acontecem paralelamente durante toda a vida. E esse processo pode ser lindo, autêntico, poderoso e necessário, mas, ele só vem se a gente permitir a vulnerabilidade.

É uma cláusula do contrato do talento que ninguém leu antes de assinar.

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“Vulnerabilidade é o local de nascimento da inovação, criatividade e mudança.” Brené Brown

 


Essa reflexão quase foi reprovada na regrinha não verbal que eu tenho de só postar mensagens positivas aqui no blog. Até que eu reli o meu próprio texto e entendi que essa é exatamente a mensagem. Não existe bom sem ruim e ruim sem bom. Percebi até que o texto virou exatamente o oposto quando eu o reli com isso em mente, uma mensagem positiva e libertadora, um convite à aceitação das coisas que vieram para nós, independente de escolha, seja ela a angústia de um papel em branco, seja ela a maravilha de um talento. Um brinde à criatividade.

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Vem que tem mais coisa boa

15/11/2015

Alerta de tendência: crise existencial digital

As aulas de pesquisa de tendência ainda estão frescas na memória: são 3 eventos o número chave pra determinar se algo tem o potencial de uma tendência ou não. Há um tempo vem pipocando por aqui, dentre as minhas blogueiras favoritas, avisos de férias da internet, hiatus do blog ou uma detox desse mundo de exposição, chame como quiser. Teve a Juliana Rabelo dizendo que tava cansada de “fazer as coisas pela metade”, o Santa Dose saindo do Facebook, o Quase de Manhã falando em se afastar da internet “pra se conectar com ela mesmo”. Acabamos de falar que 3 é o número chave né? Será que essas são evidências de uma crise existencial digital generalizada?

A cereja do bolo foi quando a Essena O’Neill anunciou que estava saindo do Instagram e o bafafá que isso gerou. Notem: o chocante não é alguém querer tirar um tempo off, mas o fato disso virar notícia. Alguém cansar de fazer parte de uma fórmula desgastada no Instagram não deveria ser surpresa nenhuma. Chocante mesmo foi a atenção que isso recebeu: mais de 200 mil pessoas começaram a seguir a menina depois dela anunciar a saída da rede social. O que isso diz sobre essas 200 mil pessoas? Talvez elas só quisessem ver “as cenas dos próximos capítulos” ou talvez elas, de alguma forma, se identificaram com a sensação de ser sobrecarregada pela sua própria imagem online, sejam elas insta-celebrities ou não. Talvez as pessoas estejam cansadas de produzir tanta informação – que muitas vezes, não tem nada a acrescentar.

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Ainda pensando sobre a aula de tendência, aprendemos que todo movimento gera um contra-movimento. De um lado – na aula, no trabalho, na vida pessoal – ouve-se falar TANTO em redes sociais, nas oportunidades de negócios que elas geram, na importância de ficarligadonasnovidadessempre, assim mesmo, sem espaço. Do outro, as pessoas começam a se esgotar e questionar se esse compartilhamento constante de informação é mesmo necessário. Alguém mais já notou como todas as pessoas tem mais seguidores a cada dia? Mil, 3 mil, 20 mil, 70 mil, 200 mil, 500 mil. Nunca parece ser o suficiente. Seguindo esse ritmo, um dia todos seremos famosos na internet. Isso significa dizer que, então, ninguém será famoso?

Assim como as redes sociais, um dia conhecemos o fast food, fast fashion, fast tudo. Depois, apareceu o slow food, slow fashion, slow design etc. Os inovadores, trend-setters da era digital, estão mandando a mesma mensagem que já ouvimos na moda e na alimentação: não, não precisamos receber ou fornecer novidadesatodotempo. Qualidade acima de quantidade. Será o movimento slow chegando aos blogs?

Eles começam a questionar a atual dinâmica, sabem que a internet não é a vilã, afinal, eles vão e voltam. O problema não está nas redes sociais – nem conhecemos uma vida sem ela – mas a cobrança invisível de produzir e absorver conteúdo novo a todo instante. Quanto mais, melhor. Se já é difícil ser você em um mundo que tá constantemente te dizendo quem ser, acrescenta a expectativa de alguns mil seguidores/leitores nisso aí. Não é impossível, mas é um obstáculo.

E essa nova tendência vem em forma de que? Abstenção de rede social? “Jogar fora” meio milhão de seguidores? Largar o blog pra sempre? Não necessariamente. A Helô Gomes passou por esse processo de recriação: tirou o blog badalado do ar, o Sanduíche de Algodão, e voltou com um portal mais íntimo, mais minimalista, mais reflexivo, que não segue deadlines e muitas vezes tem posts reciclados de reflexões do Instagram.

Qualquer processo é válido para entender qual formato nos faz mais produtivos e autênticos. Talvez estejamos começando a entender que não, quanto mais informação não é sempre melhor. Que não é preciso estar em todas as redes sociais, mas naquelas que nos identificamos mais. Que não é preciso expor as partes de você que estão desconectadas, que é tudo bem tirar um tempo pra si mesmo. Afinal, loucura seria seguir tanta gente e esquecer do principal, nós mesmos.

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04/11/2015

Link Love #2

Mais uma edição do link love! Ueba, pra quem tem PhD em começar algo e parar por aí, fico feliz em dar sequência a uma tag aqui do blog. Funciona assim: sempre que eu vejo algo (1) lindo que me arranca um suspiro, (2) inspirador que me faz sorrir, (3) contestador que faz eu me sentir compreendida, (4) reflexivo que me faz questionar algo sobre a vida, eu salvo nos favoritos e quando junta uma seleção de qualidade eu compartilho com vocês. A indicação da casa é clicar em tudo que tá valendo a pena!

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1) 7 desafios para os criativos

A Loma não cansa de me surpreender positivamente. O blog dela junta um monte de dica pra quem é das internets, seja de organização, estratégia ou de inspiração com tom de conversa amiga de quem sabe exatamente pelo que você está passando. 7 desafios para criativos é tipo um gabarito da vida real de quem sabe muito bem do que tá falando, vale ler e reler quando o coração pedir. Afinal, tem conselho que a gente precisa ouvir várias vezes: “não compare o seu começo com o meio ou final de ninguém.” ♥

2) A beleza da solidão em forma de ilustrações

Tem coisa que a gente teima em não aprender, aí vem a vida e ensina da maneira difícil. A beleza de ficar na nossa própria companhia é uma dessas. Eu sofri muito perrengue até aprender mesmo como cuidar da minha própria saúde, própria felicidade, própria auto estima e como dedicar tempo ao meu próprio bem estar. Talvez por isso, fiquei encantada com essas ilustrações do Belhoula Amir, que mostram a solidão de uma maneira leve e coloridinha, como deve ser.

3) Esse editorial que tá puro mel

A Vogue Australia de abril de 2013 (sim, old but gold) me proporcionou essas imagens lindas, com uma cartela de cor maravilhosa e serena, quase dá pra sentir o cheirinho. “The Sweetest Thing” fez meu coração pular uma batidinha de leve.

4) Um convite a refletir o consumo nosso de cada dia

Desde que assisti The True Cost tem alguma coisa presa na minha garganta querendo sair em forma de post. Comecei a pesquisar e os resultados foram tão esmagadores que eu não soube lidar, preferi me dar um tempo pra absorver melhor antes de trazer coisa negativa aqui pro blog. Então esse post sobre consciência de consumo do Modices serve como uma boa porta de entrada, ou melhor, um convite pra refletir. Se o vestir faz bem a gente, não é certo que faça mal a ninguém!

5) Essa receita de leite condensado… de amêndoas!

O que falar dessa receita de leite condensado de amêndoas que eu ainda não fiz mas já considero pacas? Fiquei com água na boca e vontade de passar um bom tempo na cozinha, dedicando atenção a nada mais além de mexer a panela no maior clima slow food.

6) A Jennifer Lawrence se cansando do que todas já deveríamos estar cansadas.

A Jennifer Lawrence de vez em quando “choca” a mídia. Eu acho chocante mesmo as pessoas precisarem ser lembradas de que as mulheres não vieram ao mundo apenas para serem femininas e bonitas, que quem escolhe o que as mulheres querem são, adivinha, as próprias mulheres e que ser assertiva e exigir os seus direitos tá longe de ser “exagerada”. Ela cansou do que todas devíamos já estar cansadas.

7) Um boost motivacional pra sair da zona de conforto

A verdade seja dita, tem mensagens que tocam tanto no repeat que a gente quase cria imunidade a elas. Mas, quando ditas com as palavras e o timing certos, dá vontade de correr para o abraço – virtual. A Thayná tá falando o meu idioma nesse post sobre sair da zona de conforto.

 

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